Elogios não me elevam, ofensas não me rebaixam, sou o que sou e não o que acham. Não sou de cá...mas vim para ficar. Esta é a minha terra do coração. Divirtam-se e apareçam por aqui....ROXA.

20
Jan 10

Caro seguidores do "A vida é bela em Almeida", este texto vai ser publicado dia 22 no blog com link aqui ao lado "aldeia da minha vida", http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/ , para ser sujeito a votação. Entrem no link e comentem, pois o melhor comentário ganha um prémio.

 

AS JANEIRAS EM ALMEIDA 

 

 

 Escrito por Ana Paula Simões Ferreira

http://roxa1.blogs.sapo.pt

                                                   “VAMOS TODOS JUNTOS

                                                    TODOS REUNIDOS

                                                    DAR AS BOAS FESTAS

                                                    AOS NOSSOS AMIGOS”

Almeida, vila única em Portugal, diferente também nas tradições. Em Almeida, não se cantam as Janeiras… antes do Natal, e durante um par de semanas, os elementos, cerca de quarenta, do Coro Etnográfico de Almeida, visitam todas as casas da freguesia e oferecem a quem lhes abre a porta, as “Festinhas do Natal”.

                                                                  “BOAS FESTAS, BOAS FESTAS

                                                                   TENHA VOSSA SENHORIA

                                                                   E BOAS ENTRADAS DE ANO

                                                                  COM PRAZER E ALEGRIA”

O Sr. Basílio encarrega-se do bandolim, o Sr. Ramalhete toca o acordeão, a Sr.ª Maria e eu abanamos as pandeiretas, o menino Toninho (menino de quase 80 anos) tilinta os ferrinhos e o Zé Fernando bate com força no bombo…. E todos juntos sempre sob a batuta do nosso maestro Paulinho cantarolamos alegremente as Festinhas do Natal, sempre com muito frio, ora debaixo de chuva, ora salpicados de branco da neve, acautelados com gorros, luvas, cachecóis e afins…. Mas permanentemente com boa disposição para partilhar com quem nos espera atrás da porta, sentado no quentinho do lume a arder.

                                               “ INDA AGORA AQUI CHEGUEI

                                                  JÁ PUS O PÉ NA ESCADA

                                                  LOGO MEU CORAÇÃO DISSE

                                                  QUE AQUI MORA GENTE HONRADA”

“Tome lá menina, é o que tenho, dinheiro não posso dar”, “Olha que já levam a bolsa pesada….”, “Eu só cá tenho uns figuinhos... mas bebam uma ginginha caseira, logo aquecem a garganta!” E por hoje já chega que os instrumentos já pesam e as senhoras batem os dentes com tanto frio. “Até amanhã, a ver se o são Pedro é mais amigo da gente”.

                                                          “SÃO FESTINHAS DO NATAL

                                                                      SÃO FESTINHAS DE ALEGRIA

                                                                      QUE AS MANDA O REI DO CÉU

                                                                      FILHO DA VIRGEM MARIA

Na noite seguinte encontramo-nos num café para avançarmos mais uma rua todos juntos e logo aí fazemos o aquecimento vocal cantando para os donos e clientes presentes. “Falta a dona Adelaide” “É capaz de não vir, ontem já estava constipada”. Na primeira casa do segundo dia é sempre a mesma a saudação inicial, mal os primeiros acordes são tocados e as primeiras sílabas trauteadas, abre-se a porta, como que se já estivessem esperando em jubilosa esperança e: “ah, eu já sabia que aí andavam, já me tinha dito fulana tal que já tinham ido à casa dela. Tomem lá uma notinha, que é para não irem já carregados.”

 

 

                                        “COMO ALEGRES PASSARINHOS

                                          A NOSSA VIDA É CANTAR

                                          AOS SENHORES DESTA CASA

                                           NÓS QUEREMOS SAUDAR”

E continuando o nosso percurso, às vezes com uns tropeções à mistura que o chão está escorregadio da geada, comentamos entre nós: “olha que realmente a ‘ti qualquer coisa’ tinha a luz acesa e assim que nos ouviu apagou-a, para pensarmos que não está ninguém em casa… sempre foi uma forreta toda a vida…!” “ah, e o ‘ti fulano tal’, coitado, não tinha nada em casa para oferecer e ainda nos deu uma garrafa de jeropiga que lhe deram!”

                                                              

“SOMOS O CORO ETNOGRÁFICO

  P’RA VOCÊS VIMOS CANTAR

 TAMBÉM QUEREMOS AS JANEIRAS

 SE NO-LAS QUISEREM DAR”

E pronto, está cumprida a missão por este ano. Agora resta-nos arrumar os instrumentos e aproveitar a época das festas. “Bom Natal Maestro”, “Feliz Ano Novo, não se esqueçam que temos ensaios dia 4 de Janeiro” e “ Boas Festas a todos”.                                

 “DESPEDIDAS QUEREMOS DAR

  COMO CRISTO EM BELÉM

  COM AS LÁGRIMAS NOS OLHOS

  SE DESPEDE A QUEM QUER BEM”

 

publicado por roxa1 às 15:42

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