Elogios não me elevam, ofensas não me rebaixam, sou o que sou e não o que acham. Não sou de cá...mas vim para ficar. Esta é a minha terra do coração. Divirtam-se e apareçam por aqui....ROXA.

29
Abr 10

Esta reportagem sobre Almeida está publicada no Blog Descubra as aldeias históricas de Portugal", deixo-vos aqui o link http://aldeiashistoricasdeportugal.blogspot.com/search/label/Almeida

 

Um último olhar por Almeida: Percorrendo ao longo das muralhas, longe fica o nosso olhar para além do horizonte, onde não se sabe onde começa o céu e acaba a terra.

 

                                                                                          

 

                                                                                   Foto: OLHO DE TURISTA, LDA

O silêncio insiste em permanecer ao lado dos canhões, onde há precisamente 200 anos deram tudo por tudo para defender esta terra

 

Foto: OLHO DE TURISTA, LDA

Almeida foi uma estrela de guerra, que defendeu, com muito sangue, o nossos país de espanhóis e franceses. Ao som do vento e em silêncio consegue-se imaginar a vida agitada de outrora no coração de Almeida.

 

 

 

 

 Foto: Olho de Turista

 

 

 

No ar paira a famosa frase “Almate- Alma até Almeida”, a mais pronunciada e pensada por todos os que ansiavam sobreviver em tempos de guerra, especialmente por soldados ao serviço da coroa portuguesa. É uma quietude inquietante esta vila de Almeida, mas que vale a pena conhecer e mergulhar na sua História.

 

Casa dos Expostos Na última semana, publiquei uma fotografia a representar a chamada “Roda dos Expostos” .

 

 

Para quem nunca ouviu falar, aqui vai a explicação: A roda dos Expostos existia numa casa em Almeida, na rua da Muralha, . Era uma casa dos órfãos, destinada para receber crianças recém-nascidas “não desejadas” ou bastardas, cujos pais não pudessem assumir os seus cuidados. Essas crianças, sem qualquer identificação, eram recebidas pelas amas de leite que aí viviam, contratadas por uma Instituição de Beneficiência da localidade. Normalmente eram entregues durante a noite numa “ roda” de madeira existente por trás da portinha verde ( agora a roda foi rescontituida em ferro), de modo que as crianças não apanhavam frio e ninguém descobria a identidade dos pais.

 

 

Actualmente o espaço foi transformado num núcleo museológico, onde é possível observar alguns documentos da época sobre a contratação de amas e alguns objectos usados durante o funcionamento da casa.

 

 

É uma casa que dá muito que pensar, especialmente hoje que se comemora o, Dia 18 de Maio, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes , no Brasil; no dia Dia 25 de Maio é o Dia Internacional Das Crianças Desaparecidas e no dia 1 de Junho comemora-se o Dia Mundial da Criança.

 

Comemorações das Invasões Francesas Para quem não sabe, Almeida foi uma das portas de entrada das famosas Invasões francesas: “ A origem das invasões francesas que a História chamada de Guerra Peninsular e que os nossos irmãos espanhóis designavam também por Guerra da Independência, que envolveu os portugueses, os espanhóis e os ingleses a combater contra os Exércitos franceses de Napoleão Bonaparte, na Península Ibérica (1808-18014), encontra-se na tentativa feita por Napoleão, em vista da impossibilidade de vencer Inglaterra no mar, de a paralisar e subjugar pela anulação do seu comércio.

 

 

                                                                                                 Napoleão de Bonaparte

 

Com este objectivo, promulgou Napoleão os seus Decretos de 21.11.1806, ordenando que todos os portos da Europa se fechassem aos súbditos britânicos, conforme consta no chamado Bloqueio Continental, assinado em Berlim. Para se fazer cumprir tais decretos, precisava de submeter à sua vontade duas nações amigas da Inglaterra: Portugal e a Suécia. Napoleão encarregou a Rússia de resolver o caso da Suécia e tomou para si o de Portugal. Bonaparte, depois de em 1807 intimar Portugal a fechar os Portos aos navios britânicos, não só obteve do rei de Espanha, Carlos IV, e do seu Ministro, Manuel Godoy, o consentimento da passagem das tropas francesas para Portugal, como também pelo tratado secreto de Fontainebleau de 27.11.1807, ficou assente que o nosso País seria dividido entre a França e a Espanha, reservando-se um principado para Godoy.”(1)

 

 É na terceira invasão que “Almeida volta a ser palco de novas lutas. Em fins de Julho de 1810 as tropas de Massena cercam a fortaleza depois de uma sangrenta batalha junto à ponte do Côa, de que resultaram centenas de baixas para ambos os lados. Sem apoio do exterior, os sitiados suportam um mês de cerco, sendo obrigados a renderem-se a 26 de Agosto, quando um tiro inimigo fez explodir um paiol, destruindo parte do interior da praça. Esta ficará, até ao final da terceira invasão francesa, na mão dos franceses . Perante o avanço dos anglo-lusos e o insucesso do contra-ataque de Massena em Fuentes de Oñoro, o comandante francês, general Brennier, acabará, a 10 de Maio de 1811, por minar a fortaleza e faze-la explodir em vários pontos, antes de a abandonar.

 

 

A destruição então infligida leva a que a principal praça de guerra beirã seja desclassificada, só voltando a recuperar a sua categoria em 1887(…) Em 1895 volta a ser desclassificada, em 1927 perde a sua actividade militar com a saída da última força armada. Apesar das suas viscissitudes por que passou esta fortaleza com o seu traçado em forma de estrela é ainda hoje uma das mais imponentes fortificações portuguesas”(2) . Almeida, todos os anos em Agosto faz a recriação deste momento histórico: As comemorações do Cerco de Almeida, onde portugueses , franceses, espanhóis e ingleses vestem- se a rigor, de acordo com a época. Este ano irá decorrer nos dias 28,29 e 30 de Agosto , em Almeida, naturalmente!

 

                                                                                Não perca este acontecimento este Verão! 

 

 Observações: (1)Júnior, António de Sousa, “As terras da Beira nas invasões francesas” Colecção Bicentenário da Guerra Peninsular, Edição Câmara Municipal de Almeida, 2006. (2) Ramalho, Margarida Magalhães, Aldeias Históricas , Colecção Espírito de Lugar, Edições Inapa, 2006.

 

Almeida tem como imagem de marca a fortaleza em formato de estrela.

 

 

Mas existe outra cidade no outro lado da fronteira : Ciudad Rodrigo

 

 

 Existe ainda outra fortificação com formato de estrela semelhante em Valência do Minho localizada no Norte de Portugal. 

 

segunda-feira, 11 de Maio de 2009 Casamata: Cá estamos novamente, por terras de Almeida.! Depois de um bom descanso pela pousada, vamos conhecer as famosas Casamatas. Casamata é uma palavra derivada do italiano “cassamatta”, que significa “casa falsa; uma construção subterrânea abodadada que protege dos projecteis pessoal e material”(in Diccionário de Língua Portuguesa, Porto de Editora, 8ª edição). Terão tido origem na Idade Média, dos quais é exemplo o Crac des Chevaliers, situado no Norte de África, precisamente na Líbia, uma fortificação de origem muçulmana adaptada pela Ordem de Hospitalários, onde existiam compatimentos abobadados , que funcionavam como autênticas cassamatas (2).

                                                                         imagem retirada da internet: Crac des Chevaliers

 

 

As “casamatas” de Almeida têm 20 salas/quartos e corredores, que serviam, inicialmente de Quartel e de armazém. Devido à grande humidade , deixou de ser quartel para passar a servir de abrigo para as povoações , em caso de ataque .

 

 

 

Localizados no subsolo do baluastre de S. João de Deus, foram construídos no séc. XVIII à prova de bombas, as Casamatas estavam preparadas para ter todos os serviços necessários, para a sobrevivência das populações: armazenavam os mantimentos necessários e tinham água de cisterna de poço próprio e uma chaminé de fogão quadrada , no local. Para além disso, este espaço também serviu de prisão , durante as lutas liberáis, no séc. XIX.

 

Só para terem a noção da capacidade das casamatas, “aquando da guerra dos sete anos, em 1762, estas vinte salas e corredores albergaram cerca de três mil e quinhentos civis” (1). Não podemos entrar lá dentro, uma vez que as Casamatas têm sido alvo de recentes estudos de investigação , para um aprofundar do conhecimento deste espaço, bem como de intervenções de recuperação, a fim de albergar um museu e um espaço de lazer , estando prevista a abertura para Junho deste ano. Face às obras, não é possível, neste momento visitar o seu interior, mas podemos observar, por exemplo o que ficou a nu em parte da cobertura da casamata, que originariamente estava coberta de terra: podemos ver lajes de granito trabalhadas .

 

 

 

Quando estiverem concluídas as obras é um local a visitar, enquanto “ conjunto singular do espólio militar monumental do nosso país, aí estão para ser descobertas, em pleno séc. XXI, em novos e desafiadores aspectos da sua autencicidade” (palavras de Dr. António Baptista Ribeiro(2).

 

 Almeida…e a lenda da mesa com pedras preciosas…

 

 

 

 

Existem várias versões, quanto à sua origem: “uns, consideram que Almeida deriva da palavra árabe AL MEDA ou Talmeyda, que significa Mesa, devido à povoação se encontrar localizada num planalto. Para outros, o topónimo deriva da palavra Atmeidan, que significa campo ou lugar de corrida de cavalos, acontecimento que os árabes realizavam regularmente.(1)” O facto da palavra iniciar-se com a sílaba “AL”, parece dar mais credibilidade à primeira versão, reforçada por uma lenda local que conta que teria existido uma mesa cravada de pedras preciosas, da qual terá dado o nome à terra. Mas existe uma outra lenda de Almeida da princesa Isabel, uma filha bastarda de D. Fernando, que casou com o Afonso filho bastardo do rei de Castela, para reforçar laços de amizades entre os dois reinos.

Para a próxima semana continuaremos a visita até à Casa da Roda dos Expostos que existe em Almeida (tem ideia do que será?) e contarei mais pormenores sobre esta última lenda.

 

 

Uma pausa para o almoço Como dissemos na semana passada, decidimos fazer uma pausa para o almoço, antes de continuarmos a visita pelo Picadeiro D´El Rei. A gente cá da terra, de Almeida recomendou-nos um restaurante, o "Granitus" localizado fora das muralhas, em frente à porta de S. Francisco e ao Largo 25 de Abril. No caminho para lá, passámos por uma rua muito curiosa, onde encontrámos, por acaso o Sr. Júlio Monteiro a abrir o portão da sua garagem, onde não deixámos de olhar, com admiração. O interior da garagem está completamente forrado com peças antigas , como alqueires, chaves, ferraduras entre outras, de variados tamanhos e feitios. Trata-se de uma colecção particular, com mais de cem peças, de entre as quais se destaca a mais antiga com a data de 1850. Ora vejam:

 

 

 

 

É preciso ter muita dedicação e gosto para ter uma colecção destas em casa! Que continue, por muitos anos a coleccionar estas relíquias fora de série. Quem sabe, poderá nascer daqui um museu, para todos apreciarem esta imensa colecção. Vamos deixar o Sr. Júlio para irmos então almoçar!

 

 Cá estamos nós , bem instalados nesta casa cor de rosa “Granitus”, mesmo para um almoço de reis: Como éramos três , pedimos a seguinte ementa: Começámos por deliciar-nos com uma sopa de legumes, em seguida escolhemos dois pratos, Nacos de Vitela (1 dose) e Bacalhau com molho de camarão (1 dose) acompanhados com um bom vinho tinto da região (da cidade de Pinhel):

 

 

 

 Humm… que cheirinho…dá água na boca… vejam ( os olhos também comem): Para sobremesa escolhemos uma mousse de laranja e um Doce da Casa e tomámos um cafezinho. Tudo isso, valeu bem os euros que gastámos. Para um casal seriam 28,50 € . Bem, depois deste delicioso almoço, estamos prontíssimos para continuar a nossa visita, em direcção ao Picadeiro D´El Rei, que se segue já no próximo post. 

 

 Depois desse almoço, estamos prontos para continuar a visita. ao Picadeiro D´El Rei, situado no Revelim de Nossa Senhora das Brotas.

 

Trata-se de um edifício que teve diversas utilidades ao longo dos tempos. Entre os séculos XVIII e XIX começou por ser utilizado como arsenal e armazém de artilharia, onde existiam forjas para a manufactura e reparação de equipamento de guerra. Funcionou como Quartel de Destacamento de Artilharia e, posteriormente foi adaptado para o fabrico de pão. Em 1998 transformou-se numa Escola de Equitação.

 

 Seja ao ar livre ou no picadeiro coberto, é possível praticar actividades ligadas à arte equestre.

 

 

 

 

Assim como encontramos o alojamento de cavalos, preparados para o efeito.

 

Por apenas 12€, uma família de quatro pessoas pode desfrutar de um passeio de Charrete pelas ruas de Almeida .

 

 

Basta fazer uma marcação de reserva .

Seguimos para outras bandas, em direcção às ruínas do antigo castelo medieval de Almeida, no post seguinte.

 

A queda de um castelo Seguimos para outras bandas, em direcção às ruínas do antigo castelo de Almeida. É verdade! Em Almeida antes de construirem a Praça Forte em formato de estrela , existia um castelo quinhentista , com uma torre de menagem e uma muralha .Tendo origem árabe, as fundações terão sido reaproveitadas para ser erigido um castelo medieval no tempo de D. Dinis. O castelo foi sofrendo várias remodelações e ampliações ao longo dos tempos: em 1369, a mando de D. Fernando e no tempo de D. Manuel I.

 

Imagem retirada da internet A muralha do castelo tinha duas cinturas, sendo a interior em forma de trapézio rectangular, com apenas uma porta para o exterior, que atravessava o fosso, e quatro torres arredondadas.

                                                                                            Imagem retirada da internet

Durante o domínio Filipino, o castelo entrou em decadência, pela falta de cuidados e de conservação do mesmo. Após a restauração da Independência, no reinado de D. João IV, dada a ineficiência do castelo, houve a necessidade de se construir um novo sistema defensivo baseado no modelo abaluartado, sob o projecto do engenheiro francês Antoine Devilhe. Essa construção apenas ficou concluída no século XVIII, da qual resulta a fortaleza em formato de estrela, considerada como "um dos maiores expoentes da arquitectura militar abaluartada em Portugal".

 

Do castelo medieval, actualmente encontramos apenas ruínas , onde apenas se reconhece a planta e o fosso original devido a uma violenta explosão de pólvora armazenada no recinto, aquando da terceira invasão francesa.

 

 

 

O mesmo destino teve a antiga Igreja Matriz, que ficou totalmente destruída. Sobre as ruínas da Igreja foi alçada a Torre do Relógio.

 

Segue-se caminho em direcção à Pousada de Nossa Senhora das Neves. Trata-se de um edifício recentemente remodelado para prestação de serviços de hotelaria e de restauração, que foi erguido sobre o antigo Quartel de Cavalaria, também denominado de Santa Bárbara. Esse antigo quartel terá funcionado até 1927, quando o último Esquadrão de cavalaria abandonou a Almeida.

 Escultura da Senhora das Neves à entrada da Pousada

 

 

 

Bem, a visita está muito agradável, mas convido-os a repousar um pouco nesta pousada.

 

Na semana passada ficámos em frente à porta de S. Francisco do castelo de Almeida. Antes de entrarmos por essa porta, convido-os a fazer uma viagem …pelo ar… de balão… é só escolher um...

 

Imagem retirada da Internet

 

Cá estamos, perante a famosa estrela de pedra de Almeida! É linda, não é?

 

 Imagem retirada da Internet Agora, que já vimos a estrela pelo ar, vamos descer e entrar pelas portas duplas de S. Francisco da Fortaleza em estrela.

 

 

Lateralmente cada porta dispõe de uma casa da guarda à prova de bombas, com quarto para o oficial,Há uma lareira, onde os oficiais se aqueciam e comiam, para garantirem vigília permanente, fosse dia ou noite.

 

Actualmente, na Porta de S. Francisco, o quarto da guarda foi reconvertido em Posto de Turismo de Almeida, onde seguiremos para uma visita guiada.* Aqui conseguimos imaginar aqueles soldados, em busca de calor e de uma ambiente mais acolhedor, depois de horas de vigília na rua, sujeitos ao frio, à chuva e ao vento agreste que certamente se sentia durante o Inverno, por estas bandas.

 

Já acompanhados com a nossa guia, vamos então entrar na vila de Almeida. Actualmente é uma vila pacata, onde a cor branca das casas se sobressai em contraste da pedra granítica, característica da região. Iniciamos a nossa visita , na praça da República, com o Quartel das Esquadras, que foi construído no séc. XVIII como Quartel da Infantaria. Actualmente ainda é utilizado pela GNR ( Guarda Nacional Republicana) , cujas famílias habitam no andar de cima do edifício.

 

 Mesmo ao lado encontramos a Igreja da Misericórdia do séc. XVII , que se encontrava adossada ao antigo Hospital, actual Lar da Misericórdia, existente desde 1520. Vamos pela rua acima , onde está a famosa Casa da Amelinha e o licor da ginjinha muito apreciado por aqui…mas ainda é cedo para provar…talvez mais logo, depois do almoço.

 

 

 

*Pelo facto das visitas serem exclusivas para grandes grupos, com marcação , a Câmara Municipal de Almeida abriu uma excepção para que fosse possível darmos a conhecer Almeida ao nossos leitores. Por isso agradeço já aqui a amabilidade e a simpatia de todos que tornaram a visita possível, em especial a guia turística que nos acompanhou durante todo o dia.

 

Publicada por Susana

publicado por roxa1 às 15:41

Permita-me que lhe manifeste o meu apreço pessoal pela sua iniciativa, bem como o da C. M. A..
Divulgar a Vila de Almeida, e o seu Património Histórico (apesar de infelizmente um pouco menos bem conservado, como se percebe), é e será sempre uma saudável "obrigação".
Indispensável sempre, digo eu, um passeio pelas muralhas, e ... as demais visitas, que são feitas com igual gosto.
Manuel Norberto Baptista Forte a 1 de Maio de 2010 às 21:18

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